27 fevereiro 2007

Gostava de estar... (2)


... na Place des Vosges, em Paris, uma das mais belas praças da Europa...

26 fevereiro 2007

Não me convence...


Pela terceira vez vi o Hora H, o novo programa de Herman José na SIC. Parece uma mistura entre "O Tal Canal" e o "Humor de Perdição", mas em pior...

22 fevereiro 2007

Zeca Afonso


Faz amanhã 20 anos que morreu um dos símbolos da revolução dos cravos e um dos melhores compositores do nosso século XX. Sem ele o 25 de Abril não teria sido o mesmo...

Nasceu um novo blogue sobre Lisboa


O blogue A Bica vai reflectir sobre a nossa cidade-capital. Aqui o vosso amigo dá a sua contribuição...

21 fevereiro 2007

Dois anos de Governo PS com maioria absoluta


Pela primeira vez na sua história o Partido Socialista obteve, há dois anos, maioria absoluta. Após as lideranças de Mário Soares, Vítor Constâncio, Jorge Sampaio, António Guterres e Ferro Rodrigues, o secretário-geral José Sócrates consegue que o PS governe sozinho sem precisar de acordos parlamentares. Depois da saída de António Guterres tivemos três anos de governos PPD-CDS (gosto mais dos nomes antigos destes partidos) com as duplas Durão/Portas e Santana/Portas, o que facilitou em muito a ascensão de Sócrates e que contribuiu para esta vitória histórica. Depois da fuga de Guterres, foi a vez de Durão Barroso fugir para Bruxelas (aqui ainda foi mais grave porque deixou o País apenas para seu próprio benefício, sem ter conseguido resolver um único problema). A seguir foram aqueles seis ou sete meses de surrealismo santanista, que todos nós estamos bem lembrados... E eis que chega Sócrates. O que pensam dele? É melhor ou pior que os seus antecessores? O País está melhor ou pior do que antes dele?

19 fevereiro 2007

Nomes dos partidos com representação parlamentar


Nunca consegui perceber como é que actualmente os partidos do centro-direita e direita continuam a ter nomes tão errados. À esquerda parece-me que está tudo bem. Bloco de Esquerda, Partido Comunista Português e Partido Socialista. No caso do PS poderia chamar-se ainda Partido Trabalhista ou Partido Social Democrata. Agora o PSD e o CDS/PP é que têm nomes que enganam... O PSD não é um partido social democrata, já que todos os partidos com esse nome na Europa pertencem ao centro-esquerda e à Internacional Socialista. O nome correcto do PSD seria o seu antigo nome: PPD (Partido Popular Democrático) ou apenas PP, como é o caso de Espanha. Aliás, o PSD pertence ao PPE (Partido Popular Europeu). Já o CDS (Centro Democrático Social) de centro não tem nada, é um típico partido de direita democrata-cristão, nem sequer é um Partido Popular, como às vezes é tratado. Devia chamar-se PDC (Partido Democrata Cristão) ou PL (Partido Liberal)... Temos dois partidos de direita com nomes de esquerda e de centro... Eu sei que há razões históricas para terem estas designações, mas não será altura de mudar?

18 fevereiro 2007

Gostava de estar... (1)


... na Piazza Navona, em Roma, num dia de Primavera. Esta praça parece um cenário de um teatro e foi o local onde comi o melhor gelado da minha vida. O ambiente é fantástico, aliás como em toda a capital italiana. Tenho de lá voltar!

17 fevereiro 2007

Quero ir...


... à exposição com obras de Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929), patente no Museu do Chiado/Museu Nacional de Arte Contemporânea desde ontem. Recorde-se que se comemoram, em 2007, os 150 anos do nascimento deste pintor, que é o primeiro modernista português. A não perder até 27 de Maio.

16 fevereiro 2007

Odeio o Carnaval e o samba...


Que estes dias de festa para anormais passe depressa...

15 fevereiro 2007

Mário Soares


É para mim o "Grande Português", pelo menos do século XX. Esteve sempre do lado certo da História e da Razão. Lutou contra a ditadura de Salazar e Caetano, combateu ao lado de Humberto Delgado, foi preso e exilado pelo Estado Novo. Fundou o PS ainda em 1973. Depois do 25 de Abril lutou por uma democracia europeia, combatendo o PCP, que na época tinha tentações totalitárias. Encostou a direita no seu lugar. Descolonizou, bem ou mal, mas descolonizou. Colocou Portugal na então CEE, hoje União Europeia. Derrotou a direita em 1986, numa eleições presidenciais que ficaram para a História. Compreendeu o País quando o cavaquismo apodreceu. Depois do prestigiante cargo como Presidente da República ainda foi eurodeputado e desde o primeiro minuto percebeu o que estava em causa quando os EUA invadiram o Iraque. Mário Soares tem 82 anos e Portugal deve-lhe muito. E os portugueses, sobretudo os nossos contemporâneos, devem-lhe praticamente tudo...

D. Afonso Henriques


É a minha escolha para "Grande Português", da lista dos dez finalistas do programa da RTP. Além de ter sido o fundador de Portugal, inventou Portugal. Devemos-lhe não sermos castelhanos e não termos uma das mais horríveis línguas do mundo. Do pequeno Condado Portucalense foi conquistando território até ao actual Alentejo. Devo-lhe a conquista aos mouros da minha cidade de Lisboa e de ter doado aos Templários a terra da minha mãe: Tomar. Definitivamente, um grande português... e o primeiro!

14 fevereiro 2007

Será que é desta?


A Câmara de Lisboa anunciou que a partir de segunda-feira 50 novos funcionários da EMEL começarão a fiscalizar e a multar carros que estejam estacionados em cima de passeios e parados em segunda fila. Será que é desta que a cidade-capital vai deixar o seu aspecto terceiro-mundista com automóveis estacionados por todo o lado? Espero que as multas sejam de valor bem elevado!

PS: A fotografia é de um país do terceiro-mundo, neste caso o Brasil, mas podia ser em Lisboa ou em qualquer outra cidade portuguesa... se bem que cá o parque automóvel é bastante melhor.

"Nojeira" Pinto e o seu Salazar


Não queria acreditar quando liguei para a RTP1 e vi o documentário sobre Salazar, que foi feito no âmbito do programa "Os Grandes Portugueses"... Jaime Nogueira Pinto fez uma autêntica lavagem ao cérebro sobre o ditador nacional e aquele que foi o principal responsável pela miséria de País que ainda hoje somos... O homem teve a lata de comparar Salazar a Afonso Henriques e ao Infante D. Henrique... Socorro! Mas o que mais me choca é a televisão pública, que eu pago através da minha conta da electricidade, ter patrocinado um programa como este! Uma vergonha!

12 fevereiro 2007

A mais subtil manchete sobre o referendo


Para os mais desatentos, reparem quem está nas mãos de Cavaco na foto principal da primeira página do Correio da Manhã... Genial!

Novo "Público"


Saiu hoje para as bancas o novo jornal "Público", que cortou radicalmente com o passado. Ainda é cedo para eu poder avaliar se foi para melhor. Para já, acho-o bastante mais confuso, mas talvez aqui se aplique o slogan pessoano para a Coca Cola: "Primeiro estranha-se, depois entranha-se". À primeira vista a cor causa bastante "ruído" nas páginas e é mais difícil perceber em que secção se está. Em vários aspectos fez-me lembrar o "Sol". Mas há que dar algum tempo para perceber se esta mudança gráfica veio melhorar o jornal. De qualquer forma, há que realçar a coragem pela mudança.

Pequena análise sobre os resultados



Olhando para o mapa distrital do País, verifica-se que nos distritos do Centro e Sul o "Sim" venceu e nos distritos do Norte o "Não" ganhou, excepto no do Porto. Em todas as cidades dos distritos de Coimbra, Leiria, Santarém, Lisboa, Setúbal, Portalegre, Évora, Beja e Faro o "Sim" venceu. Curioso é o facto de que nos concelhos nortenhos das cidades de Aveiro e Guarda o "Sim" venceu e nos concelhos de Viana do Castelo, Vila Real e Bragança as freguesias citadinas deram vitória ao "Sim". No concelho de Braga, três das seis freguesias citadinas o "Sim" foi maioritário. Isto parece confirmar que a urbanidade "foge" aos valores mais conservadores e retrógados.

PS: Só por curiosidade, e por falar em valores conservadores e retrógados, até no concelho natal de Salazar, Santa Comba Dão, o "Sim" ganhou...

Fotografias retiradas do blogue Espresso Conspiracy e do sítio Portugal Diário

Até que enfim!!!


Finalmente Portugal passou da Inquisição à Modernidade no que toca à Interrupção Voluntária da Gravidez. Parabéns à sociedade portuguesa! Sim: 59,3% ; Não: 40,7%

Aqui estão outros resultados que me interessam:

- Distrito de Lisboa: Sim 71,5%; Não 28,5%
- Concelho de Lisboa: Sim 67,5%; Não 32,5%
- Freguesia da Lapa : Sim 50,5%; Não 49,5%

- Concelho de Cascais: Sim 68,5%; Não 32,5%
- Freg. de Carcavelos: Sim 69,5%; Não 30,5%

- Distrito de Santarém: Sim 65,5%; Não 34,5%
- Concelho de Tomar : Sim 60,5%; Não 39,5%

Para saber mais resultados distritais, concelhios e de freguesias ligar ao sítio: www.referendo.mj.pt/Pais.do

Nota: Em todos os concelhos do Distrito de Lisboa o "Sim" venceu. Em todas as freguesias da cidade de Lisboa o "Sim" venceu. Em todas as freguesias do concelho de Cascais o "Sim" venceu". No concelho de Tomar o "Sim" venceu em 13 das 16 freguesias, incluindo as freguesias citadinas.

Imagem: Primeira Página do Diário de Notícias de 12 de Fevereiro de 2007

10 fevereiro 2007

Catolicismo


Cada vez mais me convenço que um dos grandes males de Portugal é ser ainda dominado pela Igreja Católica. Uma religião, tal como todas as outras, que atrofia o pensamento livre, que pretende impôr uma moral do passado, que limita o cidadão comum. Já nem falo dos crimes cometidos ao longo de séculos. O que mais me indigna no catolicismo são as ideias retrógadas que divulgam em pleno século XXI. Uso do preservativo, interrupção voluntária da gravidez, casamento entre homossexuais, eutanásia ou até mesmo o papel das mulheres na sociedade... são apenas alguns dos temas em que o Vaticano tem ideias desfasadas da realidade dos nossos dias. O pior é que o seu peso na sociedade portuguesa ainda é demasiado grande. Não entendo como pessoas inteligentes e racionais podem seguir determinados valores católicos e que os defendam publicamente. Não entendo como um Estado que se diz laico convida membros eclesiásticos para determinadas inaugurações e que figurem no protocolo de Estado. Eu tive uma educação católica, fui baptizado, fui à catequese, ia à missa todos os domingos até aos meus 8 anos, fiz a primeira comunhão... Sei perfeitamente o que é a Igreja Católica e como actua perante os seus fiéis. A partir da minha adolescência comecei a afastar-me e a pôr tudo aquilo em causa. Maria, mãe de Jesus, era virgem? Jesus fazia milagres? Jesus ressuscitou? Existe Céu e Inferno? Existe Diabo? Comecei a fazer estas perguntas a mim próprio com uns 13, 14 anos. E cheguei à conclusão que nada disto fazia sentido. Afastei-me definitivamente da Igreja. Depois comecei a perceber que o Vaticano não passa de um Estado que tenta controlar os povos que se afirmam católicos e que tenta impôr as suas "verdades". Comecei a ouvir falar de Opus Dei e da desgraça que ela representa nas nossas sociedades. Cheguei à conclusão que a Igreja é mais um Mal que um Bem. E tornei-me agnóstico. Duvido que exista um Deus, mas também não nego a sua existência. Claro que respeito a fé de cada um, mas não entendo como se pode acreditar em tantos disparates, inventados pelas próprias religiões. Mas o importante é que as pessoas comecem a pensar, cada vez mais, pelas suas próprias cabeças e deixem de ser influenciadas pela religião católica ou por qualquer outra... É claro que a maioria dos valores ocidentais têm uma matriz cristã, seja ela católica ou protestante, mas para distinguir o Bem do Mal, o que está Certo e o que está Errado, não é necessário seguir uma fé, seja ela qual for. Não podemos deixar que a Igreja Católica continue a dominar as mentes dos portugueses, porque isso faz de nós um país mais atrasado em termos de mentalidade e costumes. O desenvolvimento de um país não está no número de auto-estradas ou centros comerciais, está na forma como funciona o cérebro de cada uma das pessoas que compõem a sociedade.

09 fevereiro 2007

Um dia perfeito em Lisboa


Por desafio de um amigo aqui descrevo um dia perfeito na minha cidade-capital:

Desde que comecei a ir para a escola, considero o sábado o melhor dia da semana. A época do ano poderá ser fim da Primavera ou início de Verão. Acordar nunca antes das 11h, arranjar-me e sair de casa para comer qualquer coisa. Como moro na Lapa, vou até ao Jardim da Estrela a um café que lá existe, não sem antes comprar um ou dois jornais num quiosque. Ali é interessante observar os avós a brincar com os seus netos ou turistas espantados com a monumentalidade da basílica. Depois é só apanhar o eléctrico 28 e ir até à Baixa para dar uma volta. Não há vez nenhuma em não fique maravilhado com aquele legado deixado por Marquês de Pombal. Para almoçar algo leve (detesto comer muito ao almoço) o difícil é escolher, já que tenho vários sítios que adoro. Podia ir até ao Museu de Arte Antiga, ao Noobai na Bica, à Fundação Calouste Gulbenkian... mas hoje decido subir a colina do castelo e vou até ao Chapitô. O ambiente naquela escola de circo é sempre engraçado. Durante a tarde podia ir até Belém ou à Expo, mas não. Aos fins-de-semana esses locais são de fugir! Já que estou em Alfama, subo mais um pouco e entro no castelo para me maravilhar pela enésima vez com uma das vistas mais belas em todo o mundo. Ao descer, passo pela Sé e entro para me refrescar. Depois atravesso a Baixa e subo ao Chiado, desta vez pelo Elevador de Santa Justa. Mais uma vista deslumbrante! Saio pelo Largo do Carmo e vou até ao café do Centro Nacional de Cultura, com a sua fantástica vista para o Teatro São Carlos e para a torre da igreja. O Chiado é provavelmente a zona mais civilizada de Portugal inteiro. Já que ali estou entro no Museu de Arte Contemporânea, mesmo em frente ao hospital onde nasci. Quando saio já são horas de jantar. Nada melhor que ir a uma tasca lisboeta. Neste sábado vou à Barroca, no Bairro Alto comer umas deliciosas febras com umas muito caseiras batatas fritas e salada excelentemente temperada. Quando saio já o Bairro está a encher de gente. Majong, Maria Caxuxa, Tertúlia, Páginas Tantas... há muito por onde escolher. A noite pode acabar no Lux, mas não. Estou farto daquilo e cada vez gosto menos de noitadas. Volto a casa a pé e decido que no dia seguinte vou até à praia...

08 fevereiro 2007

Mau tempo no dia do referendo...


"Referendo: Portugueses vão domingo votar à chuva e ao vento

O mau tempo, com chuva, aguaceiros e vento forte, vai continuar em Portugal continental, nos Açores e na Madeira até domingo, dia do referendo sobre a despenalização do aborto.
O Instituto de Meteorologia prevê para o dia da consulta, nas regiões do Norte e Centro, céu muito nublado e muita chuva. Nas terras altas, o vento será forte a muito forte, com rajadas na ordem dos 90 km/h.
Nas regiões do Sul, o tempo estará melhor, prevendo-se céu nublado, com a possibilidade de aguaceiros.
Na Madeira, o céu estará muito nublado e o vento vai soprar fraco, enquanto nos Açores a previsão é também de céu muito nublado com aguaceiros.
O combate à abstenção tem sido uma das preocupações dos movimentos e dos partidos na campanha para o referendo de domingo.
Cerca de 8,4 milhões de eleitores estão recenseados para a consulta."

Notícia Diário Digital/Lusa

Há oito anos foi o bom tempo e a praia a desculpa por uma grande abstenção... Será que este ano será o mau tempo e a chuva?

Estou com saudades de Amesterdão


Gostava de lá ir este ano...

05 fevereiro 2007

Que tristes são... os que votam no "Não"...


Passei esta noite de domingo, início de madrugada de segunda-feira pelo Largo do Rato a pé. E não é que vejo dois betos de sorriso nos lábios, com ar de anormal, com frascos de grafitti na mão? Desconfiei logo que deviam estar a pintar alguma idiotice e pensei que o tinham feito nas paredes da sede do PS. Mas não, estes criativos palhaços, foram pintar o chão junto aos passeios do Largo do Rato, com esta soberba frase: "Por favor não me pises, tenho apenas 10 semanas" e o desenho de um feto ao lado. Se isto for sinal de desespero por o "Sim" continuar à frente, acho óptimo, mas temo que isto é sinal de que estão a ganhar confiança por o "Não" estar a subir nas sondagens. Que isto sirva de aviso aos abstencionistas que votariam "Sim". Todos os votos contam... É mesmo preciso ir votar!

04 fevereiro 2007

Saída de sexta-feira


Jantar em minha casa com dois grandes amigos e resto da noite num bar de um outro amigo no Bairro Alto.

02 fevereiro 2007

Cinema


A semana passada fui ao cinema ver o último filme de Woody Allen, que não adorei, mas isso também não vem aqui ao caso. O que de facto me irrita, e cada vez mais, é a falta de educação e civismo das pessoas que os frequentam. Quando entrei na sala (neste caso no Cine-Teatro do Monumental) ainda nem tinham começado os anúncios e a maioria das cadeiras estava vazia. Não é que quase todas as pessoas chegam durante a apresentação de outros filmes e nos primeiros 10 minutos do filme em exibição? É assim tão difícil chegar a horas à sala de cinema? Será que as pessoas não percebem que incomodam os outros obrigando-os a levantarem-se ou a ter que desviar a cabeça para continuar a ver o filme? É pena que as regras não sejam as mesmas das do teatro. A partir do momento em que o filme começa não deveria entrar mais ninguém. Pagou bilhete e depois não pode entrar? Azar! Tivesse chegado mais cedo!

30 janeiro 2007

22 janeiro 2007

Bruxelas




Às vezes sabe bem recordar. Ciclicamente lembro-me dos tempos em que vivi em Bruxelas, capital da Bélgica, da Europa e da OTAN. Foram três anos que ainda hoje me marcam e que fazem parte daquilo que eu sou. Aos 16 anos, idade em que se fazem os amigos para a vida, tive de partir de Portugal para acompanhar o meu pai na sua missão diplomática na sede da OTAN (ou NATO com as siglas em inglês). Fui a viagem de 2 horas e meia de avião com um nó na garganta e a minha mãe ao meu lado. Era dia 1 de Agosto de 1991. Chegado lá, em vez de deslumbramento por um mundo novo, só sentia raiva e ódio por aquela terra. Achei aquilo que quase todas as pessoas acham de Bruxelas quando apenas lá passam: horrível. Com o passar do tempo aprendi a gostar e a perceber que a capital da Europa tem de ser vivida. Bruxelas não é definitivamente uma cidade de turismo.

Aquilo que mais ajudou a integrar-me foi a Escola Europeia, onde fiz novos amigos, alguns deles até hoje. É uma escola especial aquela. Ali só entravam filhos de funcionários da União Europeia e diplomatas da OTAN, membros da Europa (naquela época eram apenas 12 países). O que me proporcionou conhecer e fazer amizades com colegas de vários Estados. Por incrível que pareça os portugueses que lá andavam identificavam-se sempre mais com os italianos e holandeses. E foi com esses dois povos que fiz mais contactos. E eu fui mesmo um dos portugueses que lidou mais com colegas de países estrangeiros. Sempre gostei de tentar compreender como funcionam as outras culturas. Rapidamente percebi que somos todos muito parecidos, apesar das ideias feitas que temos uns dos outros.

Recordo com saudade uma festa quase nos arredores de Bruxelas, numa casa de holandeses e onde estavam também imensos italianos. Foi nessa festa que comecei a namorar com uma miúda da Toscana, a Caterina, minha colega da escola. A casa parecia uma casa assombrada dos filmes de terror, com torre e tudo, e estava rodeada por um enorme parque. Nessa festa eu era o único lusitano.

Recordo com saudade um nevão gigantesco, que fez parar a cidade. Vinha eu da escola dentro do tram (eléctrico) quando o guarda-freios disse às pessoas para sair porque não dava para avançar mais. Andei mais de dois quilómetros com a neve a cair constantemente. Quando cheguei a casa estava todo branco, mas felicíssimo por ter visto e sentido aquele espectáculo natural.

Recordo com saudade um passeio que fiz sozinho pelo Bois de la Cambre (um dos bosques de Bruxelas), perto de minha casa. Nesse dia encontrei um esquilo-bebé que se deixou apanhar porque estava manco. Levei-o para casa e levei-o para a escola dentro da minha mochila. Passado uns dias, ofereci-o a um amigo holandês, o tal da festa que tinha uma casa gigante com um bosque à volta.

Recordo com saudade uma visita de estudo à Escócia, organizada pelo professor de inglês. Durante 10 dias eu e mais colegas/amigos de várias nacionalidades andámos a fazer montanhismo pelas Highlands. Conheci Edimburgo e o Lago Ness até chegarmos ao destino. Estivemos em bungalows isolados de tudo e de todos, com o mar em frente e os montes atrás de nós. Inesquecível!

Recordo com saudade da semana em que a escola organizou nas férias de Inverno. Fomos esquiar para a Áustria, em Mayrofen, perto de Innsbruck. Fiquei felicíssimo porque em poucos dias consegui esquiar (mal, claro) nas pistas encarnadas. E lembro-me de termos passado pelo Liechenstein. Mal entrámos nesse Estado, já estávamos a sair dele...

Lembro-me que em 1991, Bruxelas recebeu a Europália e que o país convidado desse ano era Portugal. Os belgas andavam loucos... Não faziam a mínima ideia que o nosso país era tão rico. A exposição "Triunfo do Barroco" fez todos os portugueses bastante orgulhosos da Pátria.

Lembro-me que uma das coisas mais fascinantes para mim foi a existência de televisão por cabo, algo que os belgas tinham desde os anos 50 (em Portugal só chegou em 1995). Gravava horas e horas de cassetes VHS com telediscos da MTV. Em 1992 chegou a RTP internacional. Não se pode imaginar a revolução que isso representou, numa época em que a internet era coisa apenas para especialistas. E recordo que os canais de televisão de França (TF1, France 2 e France 3) eram os melhores da Europa. Uma referência até hoje. A meu ver melhores que a tão conceituada BBC.

Recordo como as estações do ano eram vincadas. O Outono com as folhas das árvores amareladas, o Inverno com as árvores nuas, a Primavera com as flores a colorir a cidade e o Verão (chuvoso), mas já com calor. Em Portugal passa-se rapidamente do Verão para o Inverno e do Inverno para o Verão.

Recordo com saudade as gaufres vendidas na rua, as frites com mayonnaise, as famosas moules e os fabulosos chocolates belgas. E nas saídas à noite devo ter provado todas as 1001 variedades de cerveja daquele país. E as noitadas começavam sempre na Casa Manuel, um café luso-espanhol na Grand Place. Mas o mais belo dos cafés era, e deve continuar a ser, o Roi d'Espagne. A Grand Place era sempre o ponto de encontro, nem era necessário marcar nada com ninguém, já que lá estariam amigos ou conhecidos com toda a certeza.

Recordo com saudade as idas ao cinema em Heysel, onde fica também o Atomium e a Mini-Europa. E os passeios pela zona do Sablon, Avenue Louise e Toison D'or. Ali perto o imponente Palácio da Justiça. A zona do Cinquentenário e os seus parques, o palácio real... E não muito longe a sede da Comissão Europeia.

Bruxelas proporcionou-me um contacto mais directo com o coração da Europa. Fez-me sentir mais europeu, sem deixar de ser português. É pena que não se conheça melhor aquela cidade, mas não como turista. Afinal Bruxelas é e será, cada vez mais, a nossa capital.

19 janeiro 2007

Restauros no Convento de Cristo



Boas notícias para a cidade templária:
A ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, anunciou em Tomar que o restauro do Convento de Cristo é uma prioridade da tutela para os próximos anos, prometendo um "plano articulado" de intervenção. "Este é um dos nossos projectos com maior prioridade no âmbito do próximo Quadro Comunitário", afirmou Isabel Pires de Lima durante a assinatura de um protocolo com a CIMPOR para garantir o restauro da Charola do convento. Para a ministra, "não é animador o estado actual de conservação do conjunto" monumental do convento, classificado pela UNESCO nos anos 80. "Estamos perante uma das jóias senão a jóia do património português" e é necessária uma "intervenção coerente e articulada", defendeu Isabel Pires de Lima, que justificou os atrasos nos trabalhos com o custo elevado e a necessidade de estudar o tipo de acções a realizar. Centenas de anos depois de ter sido construído, o convento templário de Tomar é ainda o maior espaço público coberto em Portugal e existem muitas alas por restaurar. O IPPAR já concluiu os estudos necessários pelo que será feito um "plano coerente" de intervenção.

18 janeiro 2007

Jornais diários


Nos últimos anos tem vindo a crescer a ideia (fundada) que a internet e os gratuitos estão a acabar de vez com a imprensa, sobretudo com os jornais diários. A verdade é que o número de exemplares vendidos, assim como as audiências, têm vindo a baixar. Como lutar contra a morte anunciada dos jornais impressos e que nos sujam os dedos? Não vejo nenhuma receita milagrosa, mas há falhas graves que poderiam ser facilmente solucionadas.

1. Não entendo como nenhum jornal se lembrou até hoje de aproveitar o filão que são os imigrantes. Que tal as secções de Internacional começarem a falar mais do Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique... Existem mais de 300 mil brasileiros no nosso país, ávidos de receber notícias da sua terra. O Brasil merecia uma página diária, criando-se, para isso, uma sub-secção no Internacional. É um nicho de mercado a aproveitar...

2. As secções Regional, País, Cidades, Local ou o que lhe quiserem chamar, dão imensa atenção à Grande Lisboa e Grande Porto, esquecendo quase totalmente (excepção feita ao JN) o resto do País. Esquecem-se que a maioria das pessoas que vivem nas duas maiores cidades e seus arredores são oriundas de Trás-os-Montes, Alentejo, Beiras, Ribatejo... e que desejam saber o que se passa nas suas terras de origem. Sobretudo porque não vivem nas terras que os viram nascer. É assim tão complicado e tão caro ter um correspondente por capital de distrito e mais algumas cidades de alguma importância?

3. Um jornal com um bom e completo suplemento de cultura tem mais leitores. está mais que provado! Quem se interessa por cultura, gosta de ler e tem apetência para comprar jornais. E não falo apenas de notícias culturais para elites. Terá de ser um suplemento completíssimo, que o leitor guarde para usar durante toda a semana. Isso inclui a programação televisiva para sete dias, cinemas em todo o País, todas as peças de teatro desde as do D. Maria II até à peça amadora de Freixo de Espada a Cinta... Um sumplemento que seja fundamental e uma referência!

4. Um jornal diário não pode viver das notícias que passaram no dia anterior na tv, sobretudo quando tem pouco espaço para textos, que é a tendência dominante. Por que vou comprar um jornal que me diz o mesmo que eu vi ontem na RTP, SIC ou TVI? A aposta é e deverá ser sempre: reportagens de fundo. E no que toca às notícias que todas as pessoas já viram há que dar enquadramento, explicar os pormenores. Dar ao leitor o que os canais de tv não deram. Há falta de espaço? Que se arranje... Um leitor de jornais gosta de ler e não compra um jornal para ver bonecos. Não entendo como é que as cabecinhas brilhantes dos media em Portugal ainda não perceberam isto.

5. Outra coisa que não entendo é por que razão as secções Sociedade têm montanhas de textos com conferências e debates... Não há leitor que aguente... Uma boa secção de Sociedade tem de dar, cada vez mais, muito espaço a temas como a Ciência e Tecnologia. Outra área importantíssima e que tem leitores em crescendo é o Ambiente.

6. O Desporto é sempre uma secção mal-amada em muitos jornais... É um erro crasso...

7. Um jornal que tenha um suplemento semanal de viagens terá uma mais-valia considerável. Os portugueses adoram viajar ou ler sobre locais de descanso, mesmo que nunca venham a pôr lá os pés...

Estas são apenas algumas ideias, se calhar idiotas e desprovidas de fundamento, mas é a minha opinião. Os jornais diários têm que deixar de olhar para o seu próprio umbigo e os jornalistas apenas para o seu computador...

13 janeiro 2007

Terminou uma semana de jantares



O jantar de quarta-feira em casa do meu amigo Manuel, foi o culminar de uma semana de convívio à volta da mesa. Domingo com os meus pais, segunda-feira com o Filipe Escobar e Rita e terça-feira com a Rita e o Rui (fotos).

08 janeiro 2007

Classificação Expresso das melhores cidades portuguesas para viver em 2007


O jornal Expresso decidiu fazer um estudo jornalístico para classificar as 50 melhores cidades, segundo 20 critérios. Eis o resultado:
1º Lisboa
2º Guimarães
3º Évora
3º Porto
4º Aveiro
5º Angra do Heroísmo
5º Coimbra
6º Ponta Delgada
7º Vila Real
8º Braga
9º Beja
10º Figueira da Foz
10º Vila do Conde
11º Viana do Castelo
12º Elvas
12º Tomar
13º Funchal
14º Covilhã
15º Lagos
16º Faro
16º Tavira
17º Matosinhos
18º Barcelos
18º Viseu
19º Setúbal
20º Caldas da Rainha
21º Peniche
21º Portalegre
22º Espinho
23º Amarante
24º Horta
25º Leiria
26º V. N. Gaia
27º V. Real de Sto. António
28º Bragança
28º Mirandela
29º Chaves
30º Santarém
31º Silves
32º Torres Novas
33º Lamego
34º Almada
34º Castelo Branco
35º Guarda
36º Fundão
37º Seixal
38º Abrantes
38º Portimão
39º Barreiro
40º Amadora

Alguns dos valores dos critérios dados às cidades, que aqui não exponho, são duvidosos, mas no geral concordo com o resultado. Parabéns Lisboa, Guimarães e Évora. E já agora à minha cidade emprestada: Tomar, que não ficou nada mal classificada, à frente de 11 capitais de distrito, sendo "melhor" que as outras cidades do Ribatejo: Santarém, Torres Novas e Abrantes.

07 janeiro 2007

Avô


Não sei bem porquê, mas nestes dias festivos que passaram lembrei-me recorrentemente do meu avô materno. Eu ia fazer 10 anos quando morreu, em 1985, mas a sua presença e, sobretudo, o seu exemplo manteve-se até hoje. Manuel de Matos Gomes foi um homem que simpatizava com Salazar, era hiper-católico e foi militar. Não me revejo em nenhuma destas opções, mas revejo-me, e muito, no seu carácter, na sua bondade, no seu altruismo e na sua honra. Nasceu em Vila de Rei, muito perto do centro geodésico de Portugal. Foi numa das suas missões nos Açores que conheceu a minha avó, uma faialense nascida nos Estados Unidos. Todos os dias passava na quinta onde ela vivia e todos os dias lá estava ela... Tanto passou que a conquistou. Tempos mais tarde teve de voltar para o Continente, mas já com casamento marcado. Foram viver para Tancos, onde o meu avô cumpria a sua carreira militar. E foi ali perto, na Barquinha, que nasceram os seus três filhos. Depois houve que escolher uma cidade onde viver e poder educar os seus filhos com mais condições. O meu avô deu três hipóteses à minha avó: Coimbra, Abrantes e Tomar. A minha avó excluiu Coimbra por ser demasiado longe, excluiu Abrantes por achar uma terra com uma mentalidade muito tacanha e escolheu Tomar por achar uma cidade bonita, ter um colégio bom (Nun'Álvares) e ter comboio directo para Lisboa. E foi em Tomar que se radicaram e educaram os filhos. Mais tarde, a minha bisavó (mãe da minha avó) ficou viúva, vendeu (mal dizem os filhos) todos os bens dos Açores e juntou-se à filha em Tomar. O meu avô e a minha bisavó passaram a tratar de tudo na vida dos filhos e das finanças caseiras. Um dos filhos ingressou na Academia Militar e foi para a guerra colonial, uma filha tirou um curso para educadora infantil e a outra (minha mãe) um curso de assistente social. Depressa os filhos sairam de casa. Já na reforma tornou-se ainda mais religioso e entrou para a Ordem Terceira de São Francisco de Tomar e numa associação católica de ajuda a necessitados. Aí ajudou de várias formas, incluindo monetária, muitas pessoas da cidade templária. É desse tempo que o recordo. Como vivi dois anos em Tomar, em casa dos meus avós (porque o meu pai, também militar, esteve em Santa Margarida), lembro-me que me levava à escola, contava-me muitas histórias e adorava estar comigo. Era um homem calmo, correcto e de um carácter nobre. Morreu um dia depois de ter carregado uma cruz de madeira.

03 janeiro 2007

Uma noite bem passada com colegas/amigas








Um jantar com entrada de queijos e prato principal de massa "à moi", tudo bem regadinho com Monte Velho... e muuuuuita conversa até às 4 de la matina... Mas a estrela da noite foi mesmo a Estrela Maria!

01 janeiro 2007

A minha festa de fim de ano III



Ainda houve alguma energia para dançar, com a gata a espreitar...

A minha festa de fim de ano II



Comi tanto que só conseguia estar sentado... e na conversa.

A minha festa de fim de ano I



Em casa da minha prima foi preparada uma mesa cheia de coisas boas...