31 dezembro 2007

Bom 2008!


Desejo um excelente ano novo a todo/as!

30 dezembro 2007

Isto é mau demais para ser verdade!



Estes dois "tripeiros" dos Super Dragões cantam uma música de homenagem ao líder da claque, o famoso Fernando Madureira - também conhecido como Macaco Líder -, um criminoso que não se percebe como ainda não foi preso. Aliás, até costuma passear-se de Porsche, comprado com o dinheirinho da drog..., perdão do seu belo emprego no FC Porto. Mas vejam o vídeo que é tão mau que se torna bom. Será que estes dois imberbes vão ser futuros Pidás?
PS: E a Ribeira é uma favela? Quando lá fui não me apercebi disso. Até porque em Portugal já nem há bairros de lata, mas enfim... se os portuenses gostariam de ser terceiro mundo... é lá com eles!

PS: Entretanto o vídeo foi retirado do youtube, mas em cima pus a bela música dos Ultras Ribeira, pertencentes aos Super Dragões. Será que a PJ já anda à procura desta gente?

E também cantada por benfiquistas...


Aqui, estes dois benfiquistas quase se partem a rir com o ridículo da canção. É que isto... só se for mesmo para gozar, de tão mau que é.

22 dezembro 2007

Boas Festas!


Mais um ano que passo o Natal em Tomar, com toda a família mais próxima do lado materno. São poucas as vezes por ano em que estamos todos juntos e é mais uma oportunidade para recontar dezenas de histórias do passado e outros natais em que já fomos mais. É a grande festa da família, felizmente com carácter religioso diminuto. Celebramos sobretudo as pessoas que sempre estiveram lá nos momentos mais importantes e a quem estamos ligados por sangue. Que um homem de nome Jesus Cristo seja relembrado nesta época, é completamente irrelevante, até porque de acordo com investigadores históricos, esse homem até terá nascido no Verão. Celebrem a família e que passem um excelente Natal. Ho, ho, ho, como diz o velhote de barbas.

09 dezembro 2007

Natal de Lisboa


Devemos ser das capitais europeias que mais gasta em iluminações de Natal. À falta de neve e muito frio, resta-nos o frio moderado, as nossas tradições festivas e as iluminações das ruas de Lisboa, que batem aos pontos as que tenho visto por esse mundo fora...

02 dezembro 2007

A viagem ao Rio





1º DIA
Na segunda-feira de manhã estava de directa quando fui para o Aeroporto de Lisboa. Antes passei pelo DN porque não me tinham entregue o carregador do telemóvel do trabalho. Ainda sem grande sono lá encontrei os colegas que iam comigo para o Rio de Janeiro e fizemos o check-in. Uma colega do Porto, que se viria a revelar uma das mais divertidas, ficou ao meu lado no avião, mais outra que já conhecia porque tinha passado pelo DN. Nas 10 horas de voo ainda consegui dormir umas quatro, o que não foi nada mau. A vontade de fumar é que era muita... O voo da TAP correu lindamente e chegámos entusiasmados ao Rio. Primeiro impacto: o Aeroporto António Carlos Jobim é muito cinzento e antiquado, mas prático. À saída encontrei a minha prima que lá vive (a minha avó era irmã da mãe dela). Adorei vê-la, o que já não fazia há sete anos, a última vez que veio a Portugal. É um amor de pessoa e comoveu-me que tenha ido ao aeroporto ver-me e conversar um pouco comigo. Infelizmente já não pude estar mais com ela nestes dias porque saí sempre tarde do centro de produções da Globo. Depois fomos todos para a carrinha da TV Globo, que iria estar ao nosso serviço até nos irmos embora. Metemo-nos todos lá dentro e já estava a escurecer. Durante a viagem até ao Hotel na Barra da Tijuca, deu para perceber que passámos por vários bairros maus e por favelas... Confesso que foi emocionante estar a ver aquilo tudo e a sentir aquele calor, depois de 10 horas de viagem. Fiquei impressionado como o condutor guiava e como os outros carros circulavam pela cidade. É uma aventura. Passado mais de meia hora, talvez um 40 minutos, chegámos ao hotel. Ok, era um 4 estrelas, mas em Portugal se lhe dessem 3, já não seria mau. Era um hotal antiquado e vários colegas tiveram problemas, desde falta de limpeza, retretes entupidas, falta de secadores para o cabelo... Enfim, o hotel era pouco mais que aceitável. Já agora fica o aviso: Se forem ao Rio de Janeiro não fiquem no Royalty Barra Hotel! Contudo, era mesmo em frente à praia e tinha uma vista fantástica. Pusemos as malas nos quartos e despachámo-nos para ir jantar. Fomos a um restaurante que já não me lembro o nome, onde comemos a primeira picanha. Era uma delícia. Atrás de nós estava um televisor que estava ligado na Globo e a dar a telenovela Duas Caras. O jantar foi fantástico e num ambiente de grande galhofa entre todos. Era sinal que depois desta viagem ia ficar entre nós algo mais do que companheirismo de colegas. Depois do jantar voltámos para o hotel e ainda ficámos na conversa um bom bocado antes de irmos dormir. Quando cheguei ao quarto liguei o telemóvel ao carregador e o carregador a uma tomada. Surpresa: Aquela porcaria não carregava e só conseguia falar ao telemóvel com o carregador ligado à tomada. É que a electricidade no Brasil tem pouco mais de 100 volts e na Europa tem mais de 200 volts... No dia seguinte quando explico isto a uma funcionária da Globo a resposta é: "Que chique!"

2º DIA

Acordámos cedo porque estava previsto irmos para o Projac (Projecto Jacarepaguá) ou se preferirem Central Globo de Produção, mas a assessora da Globo avisou depois que só era necessário estarmos lá depois do almoço. Aproveitámos e fomos para o Barra Shopping, um dos melhores centros comerciais do Rio de Janeiro. Quando vi o logótipo nem queria acreditar: era igual ao do CascaiShopping. Lá dentro aproveitei para ver a Fnac, que tem a particularidade de ter imensa música brasileira e imensas revistas do Tio Patinhas e da Mónica (Em Portugal já é raríssimo encontrá-las). Depois fui a uma loja de surf ver uns calções de banho. Apareceu logo um empregado a perguntar se eu precisava de ajuda. Eu disse que só estava a ver e ele: "Você é português? Respondi afirmativamente e vai ele: "Cara, que bom! Eu vivi um ano em Cascais, mas lá faz muito frio e voltei ao Rio. Me chamo Eduardo e você?". E eu disse o meu nome. "Cara, se precisar de ajuda é só chamar..." Eu disse "ok, obrigado", vi mais uns calções e não comprei nenhum porque também não eram lá muito baratos... Almoçámos no centro comercial e depois metemo-nos na carrinha. Mais uma meia hora e cegavamos ao centro de produções da Globo. Aquilo é uma mistura de Hollywood com Disneylândia. Deve ser o sítio do Brasil com maior profissionalismo e tem o encanto de estarmos sempre a esbarrar com actores que tão bem conhecemos das telenovelas que passaram na RTP e que passam na SIC. Para se ter uma ideia, aquilo tem uma área correspondente a 200 campos de futebol. Tem imensos estúdios, fábrica onde cosntroem os cenários interiores e exteriores, cidades cenográficas, restaurantes, escritórios, central eléctrica e um enorme parque onde até existem pequenos macacos. é difícil descrever aquilo, mas é gigantesco, limpo e organizado. Visitámos aquilo tudo nuns carros movidos a electricidade. Fomos ao local onde se constroem os cenários interiores, ao local da reciclagem de madeira, ao arquivo de guarda-roupa, que tem milhares de roupas, sapatos, chapéus... Fomos depois para uma sala ver um filme promocional da Globo. Aquilo é uma pequena Suiça tropical. Nessa tarde choveu, mas fomos ver as gravações de uma cena com António Fagundes na cidade cenográfica que reconstitui uma favela. É impressionante como conseguem construir uma favela com tanta exactidão. Nenhum pormenor é deixado ao acaso. E depois, ver Fagundes a gravar é fantástico. O homem é tão bom actor que nem precisa de repetir os diálogos. Faz tudo à primeira. Estava já eu a escrever um texto na tal falsa favela quando começou a chover. Saí dali e no final fizemos a entrevista ao António Fagundes. Ele foi simpatiquíssimo. Depois fomos para a sala de imprensa para escrever os textos. Eu e mais duas colegas eramos os únicos com pressa porque tínhamos de mandar um texto ainda antes do final da tarde para Lisboa. O fotógrafo da SIC passou-me duas ou três fotos e lá acabei o texto, que enviei de um computador da Globo. Este stress já não iria acontecer mais. Passaria a escrever todas as noites, já de madrugada. Depois de passarmos pelo hotel, fomos jantar ao Porcão. Comi carnes óptimas e aí bebi uma caipirinha. Já completamente enfadado voltámos à Barra da Tijuca. Em frente ao hotel havia uma esplanada na praia e estivemos aí a beber umas cervejas. Voltei ao hotel e mandei outro texto, agora sobre o António Fagundes para que no dia seguinte o DN pudesse pô-lo em página. Às 5 e tal da manhã adormeci.

3º DIA
Não acordei muito cedo porque só precisavamos de estar no centro de produções da Globo por volta das 13 horas. Almoçámos lá num fast-food (Bob's) de hamburgueres. Eramos 12 e pedimos tudo de uma vez... Estavam três empregadas, uma ia anotando o pedido e as outras duas ficaram a olhar. Resultado: Demoraram mais de meia hora até que tivessemos os hamburgueres na mão e baralharam-se de tal forma que vieram imensas coisas trocadas. Aí percebi que a famosa lentidão brasileira não existe apenas nos empregados que imigraram para o nosso país. Lá funcionam da mesma maneira. Este foi o dia em que entrevistámos mais actores, tanto da telenovela Duas Caras como de outra que ainda não estreou em Portugal: Desejo Proibido. Ficámos fechados numas salas onde iam passando actores e lá conversámos com Flávia Alessandra, Eva Wilma, Susana Vieira... e muitas outras e outros. No final visitámos os estúdios por dentro. Nessa noite fomos jantar a Ipanema, ao restaurante Vinicius. Aquilo tem um andar de cima e outro em baixo, mas com entradas diferentes. O andar de cima tem música ao vivo e nós lá subimos. Contudo, aquilo era escuro, não dava para conversar e não se podia fumar. Pegámos em nós e fomos para o andar de baixo. Foi a risada geral pelo mau aspecto, mas não nos importámos nada. Estava dar o Vasco da Gama-Corinthians em directo e vimos o Vasco ganhar por 1-0. Falámos imenso e comi a melhor picanha da minha vida. Fabuloso! Depois de jantar ainda demos uma volta por Ipanema. Depis foi voltar ao hotel e eu lá escrevi mais um texto.

4º DIA
Às 13 horas e tal já estavamos no centro de produções da Globo. Almoçámos por lá, mas já não fomos aos hamburgueres do Bob's. Não queriamos perder uma hora para comer como no dia anterior. A seguir ao almoço tivemos de pôr uns coletes de imprensa porque iriamos estar também com colegas brasileiros. Até lá, tivemos o privilégio de poder andar por todo o lado e sem restrições. Já com os jornalistas brasileiros a Globo é mais rigorosa. Iamos ver um casamento na cidade cenográfica da telenovela Desejo Proibido. Foi muito giro. A cidade é a reprodução de uma grande praça dos anos 30 com igreja e tudo. Todos os edifícios são feitos de madeira, apesar de parecerem ser de pedra. Fabuloso! E nós, que pensavamos que os jornalistas brasileiros iriam dominar as entrevistas... mal os actores perceberam que estavam jornalistas portugueses, só queriam falar connosco. Os brasileiros ficaram furiosos! A seguir ainda fomos ver umas filmagens numa universidade cenográfica, mas já estavamos mortos e não falámos com ninguém. Ainda ficámos à espera do protagonista da telenovela Duas Caras, o Dalton Vigh, mas o homem não quis falar na altura e desistimos. Despedimo-nos da muito querida e incansável assessora da Globo e fomos jantar perto do hotel. Fomos a uma pizzaria. Aí também percebemos que os empregados brasileiros são lentos... Depois do jantar fomos à feirinha em Copacabana. Bom... nem sei como descrever ao que assisti nessa noite, mas cá vai. Na feira, que fica no famoso calçadão, comprei hawaianas para a minha mãe. Aquilo tem de tudo, produtos típicos, t-shirts, telas, pedras semi-preciosas... De repente uma colega nossa ficou sozinha e apareceram logo montes de crianças a rondá-la. A rapariga ficou tão nervosa que até lhe vieram as lágrimas aos olhos. Perceboemos todos que aquilo é perigoso e que ao mínimo deslize podem acontecer coisas menos boas. Depois fui comprar uma cerveja com o fotógrafo da SIC, mesmo junto à praia. Quando voltámos ao outro lado da avenida, encontrámos uma esplanada. E o que vimos? Dezenas e dezenas de prostitutas que rondavam a esplanada e as mesas dos turistas, a perguntar se se podiam sentar. Algumas sentaram-se e uma delas até tirou um dildo que colocou no sítio onde estão a pensar. Depois retirou-o e levou-o à boca... E os italianos podres de bêbedos olhavam para aqulo tudo agarrados às gajas. Depois beijaram-se. Enfim, as tipas eram horrorosas, saídas das piores favelas do Rio. Duas colegas nossas assistiram aquilo tudo rindo-se imenso. Os empregados da esplanada, habituadíssimos àquelas cenas comprtavam-se como se estivessem num hotel de 5 estrelas. Nunca tinha visto tal coisa. Foi surreal! Imaginem uma esplanada em Lisboa, tipo a do Café Brasileira, e isto acontecia... Enfim... Aquilo é mesmo outro mundo. Nessa noite escrevi outro texto para o DN e deitei-me depois das 5 da manhã.

5º DIA
Acordámos cedo porque queriamos visitar a cidade de dia. Vimos as favelas de dia, que são uma coisa impressionante, tal é o tamanho daquilo, passámos pela lagoa e fomos directos ao eléctrico que sobe até ao topo do Corcovado, onde está o Cristo Redentor. A viagem demora vinte minutos e vê-se aquele fantástico parque tropical da Tijuca. Já lá em cima subimos um elevador até ao Cristo. Bem... a vista é de cortar a respiração. Vê-se o Rio de Janeiro de uma ponta à outra: as praias, o Pão de Açúcar, a catedral, o porto, o Maracanã, a lagoa e até a árvore de Natal gigante. Penso que é impossível haver um lugar mais bonito que aquele em termos de beleza natural. Esta vista por si só vale a viagem. Lá em cima também estava a claque do Fluminense ao berros com músicas lá do clube de futebol. Depois descemos e fomos a Ipanema para as compras. Aí deu mais para ver que tipo de pessoas anda na rua, num sítio considerado bom. De facto, vê-se gente mais normal, mas a maioria veste muito mal e tem mau aspecto... Comprei três hawaianas e dei umas voltas por aquelas ruas. É das zonas mais giras da cidade, mas impressiona ver todos os prédios com grades na entrada. As ruas têm o passeio, depois grades, que as dividem dos prédios. Os brasileros costumam dizer: "as pessoas vivem na prisão e os ladrões vivem em liberdade". Achei uma bela definição. Depois das compras voltámos ao hotel para ir apanhar o avião ao aeroporto. Para azar nosso, a carrinha da Globo que iria levar as nossas malas para o aeroporto não chegou. Tivemos de nos meter na outra carrinha que já estava connosco e pedir um táxi. Pensámos que iamos perder o avião, mas correu tudo bem. Ainda deu tempo para fazer mais umas últimas compras no freeshop. Aproveitei para comprar um cd com músicas de Tom Jobim em versão sinfónica. E lá nos metemos no avião da TAP. Desta vez a comida foi péssima, mas aproveitei a maior parte do tempo para dormir. Quando cheguei a Lisboa achei a cidade hiper-civilizada! Como tudo pode ser relativo... Mas gostei muito de conhecer a mais bela urbe da nossa antiga colónia. Um dia voltarei com mais tempo. Espero eu.

Balanço


Voltei ontem do Rio de Janeiro e posso dizer que gostei sem ter ficado deslumbrado. Como em todas as cidades do mundo tem coisas boas e más, mas diria que era incapaz de lá viver mais do que um ano. As diferenças com a Europa são abissais, apesar de ter algumas coisas comuns a Portugal.

Vamos então aos pontos positivos:
1. As pessoas são, em geral, muito simpáticas, acolhedoras e bem dispostas.
2. O Rio de Janeiro tem a mais bela paisagem urbana do mundo: a vista do Corcovado.
3. Come-se maravilhosamente. A carne é do melhor que já provei em toda a minha vida e os acompanhamentos são divinais. Tem sumos naturais fabulosos.
4. É uma cidade muito verde e nada claustrofóbica, onde nos sentimos bem.
5. As pessoas parecem ter um estilo de vida saudável.

Pontos negativos:
1. A arquitectura denuncia a cada esquina que estamos num país do terceiro mundo.
2. As favelas são gigantescas.
3. As pessoas vestem-se mal e são, em geral, feias.
4. Conduzem mal e não respeitam os semáforos durante a noite.
5. Achei o atendimento muito lento para os nossos parâmetros.
6. As ruas são um pouco sujas.
7. O parque automóvel é mau.
8. Há imensas crianças no meio das vias a vender coisas.
9. Existe, de facto, um sentimenro de insegurança grande.
10. A prostituição está visível nos locais mais improváveis.

25 novembro 2007

Antes de partir








Para fazer uma comparação com o que eu penso antes de lá estar e a ideia que irei ficar do Rio de Janeiro quando voltar, vou comentar o que penso neste momento daquela cidade da maior ex-colónia portuguesa. Acho que vou encontrar uma cidade cheia de contrastes, típica de um país do terceiro mundo. Irei perceber que existem pessoas muito ricas e outras (a maioria) que vivem na miséria, onde a classe média praticamente não existe. Ao lado de hotéis de luxo e apartamentos modernos estarão enormes favelas, onde vive a maior parte da população carioca. Vou encontrar uma cidade violenta, onde não se pode sair com roupa de marca, porque podemos ser assaltados, onde não se pode andar sozinho a pé, porque se pode ser agredido. Para um europeu deve ser complicado circular no Rio de Janeiro sem preocupações, como se faz aqui no Velho Continente. Não se pode andar com muito dinheiro na carteira, ou melhor, nem se deve andar com uma carteira. É uma cidade onde se tem que ter muito cuidado para atravessar as ruas, mesmo nas passadeiras, porque os condutores não cumprem o código da estrada e não páram. E uma cidade onde as pessoas se vestem mal. Mas nem tudo pode ser mau... penso que irei encontar um povo simpático (nós europeus somos mais frios), uma cidade com belas paisagens (se não olharmos para as favelas), onde se deve comer e beber bem e com belas praias. Quando voltar direi se estas ideias estão certas ou erradas...

Despeço-me de Lisboa...


Esta segunda-feira (amanhã) lá vou eu para o outro lado do Atlântico. Cerca de nove horas de viagens para voar até ao Rio de Janeiro, naquela que vai ser a minha segunda viagem ao terceiro mundo (a primeira foi a Angola). Eu sei que é idiota, mas tenho sempre pena de deixar Lisboa...
Foto de Aires dos Santos, retirada do sítio TrekEarth.

22 novembro 2007

Vila Real, a cidade rural







Fui no fim-de-semana passado à capital de Trás-os-Montes para uma festa familiar. Desde pequeno que lá vou e aquela zona do País faz parte da minha vivência, apesar de no meu sangue não correr uma gota nortenha. A minha ligação familiar prende-se àquele local apenas porque uma tia minha ribatejana casou com um transmontano. Sempre que lá vou (normalmente uma vez por ano) sinto que vou a um sítio distante e afastado de tudo, preconceito esse que se deve aos tempos em que se demorava um dia inteiro para fazer as péssimas estradas que ligavam a capital do País a Vila Real. Hoje em dia esta viagem demora cerca de três horas e meia, caso não haja trânsito a mais.
Nos nossos dias, sinto que Vila Real continua a ser uma cidade rural. Apesar de todos os disparates urbanísticos de que foi alvo nos últimos 10/15 anos, a capital transmontana continua a cheirar a campo em todo o lado. Nem os prédios ao estilo Cacém e Damaia e o centro comercial a imitar uma nave espacial conseguiram mudar aquele encanto de estarmos numa cidade que cheira a terra.
Para quem não conhece Vila Real, aviso já que é uma cidade feia e quase incaracterística. Tem pouco a oferecer ao turista, tirando duas ou três igrejas antigas e o Solar de Mateus nos arredores. O encanto de Vila Real vem do Marão e Alvão e dos seus habitantes. Apesar dos prédios estilo Massamá, as pessoas são fisicamente transmontanas e cheiram a campo apesar dos perfumes que compram no "shopping" lá da terra (os vilarealenses dizem "shopping" porque acham mais moderno que dizer centro comercial). Aquela pronúncia de Trás-os-Montes não é demasiado carregada em Vila Real, caso não se irritem, e dá encanto a essas pessoas campestres que vivem na cidade. O grande defeito dos vilarealenses é terem vergonha de serem de Vila Real e de Trás-os-Montes. Isso nota-se muito quando falam com um lisboeta como eu. As conversas vão dar sempre ao que já existe na cidade: "Agora já temos um "shopping", "a nossa universidade tem muitos alunos", "A auto-estrada já cá chega", "Já temos prédios com mais de dez andares". Este tipo de frases denota complexos e uma ideia de desenvolvimento totalmente errada. Acho que a maioria das pessoas devia ir mais a Évora e tentar perceber como não se destrói uma cidade. Hoje em dia os vilarealenses vivem numa terra parecida com o Cacém, que ainda tema a sorte de ter belas paisagens à volta. Os vilarealenses deviam perceber que o desenvolvimento e o progresso está mais nas mentalidades abertas e nos estilos de vida descontraídos e muito menos nos tais "shoppings" e auto-estradas. Até porque podem ter tudo isso, mas nunca deixarão de ser transmontanos e deixar de viver numa cidade rural, que poderia ter ainda mais encanto se não tentassem ser algo que nunca serão.

15 novembro 2007

Lisboa a subir...


Mais um recanto da nossa capital. Às vezes parece que não sabemos dar valor ao que temos e têm de ser os estrangeiros a fazerem-nos abrir os olhos para a nossa terra.
Foto de Petra Boruvkova, retirada do sítio TrekEarth.

O amor deveria ser quando e onde alguém quiser...






Fotos retiradas do blogue Circo Voador.

12 novembro 2007

Já era tempo de algo começar a mudar


«A Câmara de Lisboa vai instalar bandas redutoras de velocidade e pintar cinco novas passadeiras na Baixa e repintar outras seis em zonas comerciais para aumentar a segurança rodoviária na cidade. Estas intervenções fazem parte da Operação Natal - Cidade Limpa e Segura, que contempla ainda um plano de limpeza das zonas da cidade com maior concentração de pessoas por causa das compras de Natal e um plano específico de lavagem de passeios.

No âmbito destas intervenções vão ser ainda reprogramados os semáforos para limitar a 50 quilómetros/hora a velocidade máxima de circulação numa área que abrange a Avenida da Liberdade, Rossio e Baixa Pombalina.

A Operação Natal - Cidade Limpa e Segura implica um acréscimo de custos para a autarquia na ordem dos 48 mil euros, um aumento que o presidente da Câmara, António Costa, considera "importante", apesar de apenas abranger algumas zonas da capital. "É um esforço acrescido numa altura de muita dificuldade financeira, mas é importante nesta época, porque assim também se apoia o comércio. Não podemos fazer tudo num dia e por isso definimos estas prioridades", disse António Costa, referindo-se às zonas escolhidas para a operação de limpeza. "Começámos por pintar as passadeiras junto às escolas, agora investimos nas zonas comerciais por causa do Natal e futuramente serão os bairros históricos. Passo a passo vamos melhorando a cidade", acrescentou.

O plano de limpeza de passeios, que conta com a colaboração da Unilever, abrange várias zonas da cidade, entre as quais a Baixa-Chiado, Mouraria, Alfama, Príncipe Real, São Bento, Rato, Amoreiras, 24 de Julho, Campo de Ourique, Saldanha, Praça de Londres, Benfica, as estações do Cais do Sodré e de Santa Apolónia, os terminais de transportes do Campo Grande e de Sete Rios e sete estações de metro.

Já o plano de limpeza "Época Natalícia" envolve as áreas da Baixa-Chiado, Avenida da Liberdade, Avenida de Roma, Saldanha, Praça de Londres, Avenida João XXI, Almirante reis, Guerra Junqueiro, Morais Soares, Colombo, Amoreiras e Fonte Nova.

Depois de apresentada a Operação Natal, António Costa seguiu com a comitiva para a Praça do Rossio, onde seis trabalhadores da autarquia mostraram como vai ser limpa a calçada de Lisboa. "Esta zona tem de ficar um brinquinho. Isto é um cartão de visita da cidade", disse António Costa ao director municipal de Ambiente Urbano, enquanto os trabalhadores escovavam a calçada frente à fonte na praça do Rossio para mostrar que afinal toda a praça tem o desenho das ondas no chão. "Já estão a começar a aparecer as partes brancas", notou António Costa, enquanto seguia o trabalho dos seis funcionários da limpeza que lavavam a calçada sob o olhar atento de vários turistas que aproveitavam para tirar fotografias.»

Notícia Lusa

Sempre defendi que é pela base que se deve iniciar a requalificação Lisboa. Melhoramento dos pisos, limpeza de ruas e fachadas é o verdadeiro trabalho de uma Câmara e não projectos megalómanos que só a endividam. Não se entende como é possível uma capital europeia ter ruas e passeios desfeitos e edifócios a cair. Ago parece estar a mudar. Este é o caminho, a ver vamos se prossegue...

E esta hein?


«Quatro elementos da administração geral chinesa do Desporto e dois responsáveis pela certificação de qualidade no país visitam, esta terça-feira, o Complexo Desportivo de Tomar para conhecer os processos de acreditação, tendo em vista os Jogos Olímpicos de Pequim.
"É mesmo por isso que vêm cá", afirmou à Lusa a chefe de divisão de Desporto da Câmara Municipal de Tomar, Diva Cobra, justificando que os responsáveis, da tutela do Desporto do governo chinês, pretendem conhecer "o processo de certificação de qualidade no âmbito dos Jogos Olímpicos de Pequim".
Segundo Diva Cobra, a delegação visitará, durante a manhã, o complexo desportivo tomarense (piscinas, courts de ténis e squash), que foi o primeiro em Portugal a ser "certificado na qualidade dos serviços", em 2004, prosseguindo, à tarde, a visita aos espaços recentemente construídos pela autarquia - estádio e pavilhão.
Tomar servirá de "exemplo no procedimento" da certificação dos serviços, mas "não nas instalações", frisou a responsável, acrescentando que esta será uma "visita de trabalho", em que a delegação poderá "consultar dossiers, questionar e conhecer o modo de trabalho".
A visita ao complexo tomarense surge depois de a administração geral chinesa do Desporto ter solicitado à empresa de certificação Sociedade Geral de Superintendência (SGS ICS) a visita a um exemplo de boas práticas e qualidade no desporto.»

Notícia Lusa

09 novembro 2007

É isso mesmo VPV!


«Por bondade

Quando a imprensa inglesa e americana anuncia que a proibição de fumar em restaurantes não teve efeitos visíveis na saúde pública, em Portugal essa mesma proibição entrará em vigor a 1 de Janeiro de 2008. O que me espanta nisto não é a extravagância do acto em si. Duas coisas me parecem muito piores. Em primeiro lugar, a facilidade com que em todo o Ocidente o Estado resolveu intervir na vida privada de cada um e negar radicalmente o direito de propriedade (impedindo, por exemplo, que se criem restaurantes de fumadores), sem um protesto sério em parte alguma. Em segundo lugar, a rapidez com que o fumador foi socialmente estigmatizado e o vício de fumar (há 20 anos, normal e aceitável) se tornou quase o que era antigamente uma blasfémia, uma profanação ou uma heresia.
Isto não anuncia nada de bom. Por um lado, porque fatalmente à campanha contra quem fuma se vai seguir a campanha contra quem bebe e a campanha contra quem come o que não deve ou come demais. E talvez, mais tarde, a campanha contra o “sedentarismo” e a falta de exercício. Não custa nada argumentar com as doenças que o álcool e a gordura provocam(tantas como o tabaco), ou retirar do mercado “produtos de risco”, ou vigiar o que os restaurantes servem. Por outro lado, já se viu que o poder do Estado para converter a populaça ao objectivo tenebroso de “melhorar o homem” é hoje ilimitado. A metamorfose das democracias do Ocidente em totalitarismos de uma nova espécie não incomoda ninguém. Não uso a palavra descuidadamente (não uso, de resto, nenhuma palavra descuidadamente): para Hitler (que não fumava, nem bebia), o alemão perfeito não andava muito longe do perfeito espécime do Ocidente contemporâneo.
Imagino muitas vezes quem, de facto, quererá este mundo sufocante e asséptico, obcecado com a “saúde”? Gente, como é óbvio, com pouca imaginação. Por mais forte que seja o culto e a idolatria do corpo, a velhice chega. E, com ela, a irrelevância, a obsolescência, a solidão. Esta sociedade de velhos trata muito mal os velhos. A ideia (e a propaganda) de uma adaptação contínua é uma grande e cruel mentira. Os velhos são um embaraço. Um peso que se atura, que se arruma num canto, que se mete num “lar”. Setenta anos de esforço para durar acabam num limbo à margem da verdadeira vida, quando não acabam no sofrimento e na miséria. O Ocidente está a criar um inferno.
Por bondade, claro»

Crónica de Vasco Pulido Valente, publicada hoje no jornal Público.

Não podia estar mais de acordo. O fanatismo anti-tabaco pode bem ser o início de outros fanatismos ainda mais graves. A nossa sociedade Ocidental, assim, não está a ir pelo bom caminho.